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Mounjaro e Ozempic dão ansiedade ou depressão? O que os estudos mostram sobre humor e sono

Em resumo: até agora, os estudos não mostraram que Mounjaro (tirzepatida) ou Ozempic (semaglutida) causem depressão ou ansiedade. Nos estudos controlados com tirzepatida, a frequência de pensamentos suicidas foi igual à do placebo (0,6% nos dois grupos), e uma grande análise de ensaios com remédios dessa classe não encontrou mais eventos psiquiátricos que o placebo.[1][3] Um estudo sueco de 2026 com 95 mil pessoas que já tinham depressão ou ansiedade associou a semaglutida a menos piora, mas ele é observacional e não prova que a caneta trate essas doenças.[2] Quem tem ou já teve depressão ou ansiedade deve usar a caneta só com acompanhamento médico e avisar logo qualquer mudança de humor.

Por que essa dúvida existe

Obesidade e depressão andam juntas, e nos dois sentidos. Quem vive com obesidade tem mais chance de ter depressão, e quem tem depressão tem mais chance de ganhar peso, seja pelo próprio quadro, seja por alguns remédios usados no tratamento. Por isso, muita gente que começa uma caneta para o peso já convive com ansiedade ou tristeza.

Em 2023, agências reguladoras da Europa e dos Estados Unidos receberam relatos de pensamentos suicidas em pessoas que usavam remédios dessa classe e abriram uma avaliação. Esse alerta fez com que pesquisadores fossem olhar os dados com mais cuidado. Os estudos abaixo são, em boa parte, resposta a essa pergunta.[3]

Mounjaro causa depressão?

A melhor informação sobre a tirzepatida (Mounjaro) vem de uma análise dos estudos SURMOUNT 1, 2 e 3, publicada em 2026. Foram 4.056 pessoas com obesidade, acompanhadas por 72 semanas, que responderam questionários de humor ao longo do tratamento.[1]

O que os pesquisadores viram:

  • Os sintomas de depressão não pioraram com a tirzepatida. No questionário usado (chamado PHQ 9, em que nota mais alta indica mais sintomas), a média no final foi 1,9 com tirzepatida e 2,4 com placebo.
  • Menos gente passou para uma faixa pior de sintomas: 18,2% com tirzepatida contra 24,3% com placebo.
  • Pensamentos suicidas apareceram em 0,6% das pessoas nos dois grupos, na maioria das vezes classificados como de baixo risco.
  • Houve comportamento suicida não fatal em 0,1% de quem usou tirzepatida (2 pessoas) e em ninguém do grupo placebo. É um número muito pequeno, que não permite concluir que o remédio foi a causa, mas é um dado que precisa ser dito com honestidade.

Há um limite importante: esses estudos não incluíram pessoas com doença psiquiátrica importante. Ou seja, eles falam bem sobre quem não tinha depressão grave no início, e menos sobre quem já trata depressão ou ansiedade.

E o Ozempic (semaglutida)?

Uma meta-análise publicada na JAMA Psychiatry em 2025 juntou 80 ensaios clínicos, com 107.860 pessoas, que usaram remédios da mesma classe da semaglutida (Ozempic, Wegovy) ou placebo.[3]

  • Não houve diferença em relação ao placebo nos eventos psiquiátricos, fossem graves ou leves.
  • Os sintomas de depressão também não foram diferentes.
  • Houve uma melhora pequena na qualidade de vida ligada à saúde mental e menos "comer emocional", aquele hábito de comer para aliviar ansiedade ou tristeza.

Aqui também vale o mesmo limite: a maioria dos ensaios excluiu quem tinha doença psiquiátrica prévia.

A caneta melhora ansiedade e depressão?

Essa é a dúvida que mais aparece nas notícias. Ela vem de um estudo sueco publicado na Lancet Psychiatry em 2026, que usou registros nacionais de 95.490 pessoas com depressão ou ansiedade que usavam algum remédio para diabetes.[2]

Os pesquisadores compararam cada pessoa com ela mesma, nos períodos em que usava e não usava o remédio. Nos períodos com semaglutida, o risco de piora da saúde mental foi 42% menor. Piora, nesse estudo, quer dizer internação, afastamento do trabalho por mais de 14 dias, autolesão ou suicídio. Olhando separado, a redução foi de 44% para depressão e 38% para ansiedade. A liraglutida teve um efeito menor, e a exenatida e a dulaglutida não mostraram diferença.

Como ler isso de um jeito simples:

  • É um estudo observacional. Ele mostra que as duas coisas aparecem juntas, mas não prova que a caneta foi a causa. Quem usava semaglutida podia, por exemplo, estar mais bem acompanhado ou com o diabetes mais controlado.
  • Os próprios autores dizem que não dá para atribuir causa e pedem ensaios clínicos para testar a ideia.
  • O estudo é sobre a semaglutida. Ele não avaliou a tirzepatida (Mounjaro).

Por isso, a caneta não é tratamento para ansiedade nem para depressão. Quem tem essas doenças continua precisando do tratamento próprio, com o psiquiatra ou o psicólogo.

E os estudos que acharam o contrário?

Uma meta-análise publicada na BMC Psychiatry em 2026 misturou ensaios clínicos e estudos observacionais e encontrou um sinal de mais eventos ligados à depressão.[4] Só que os resultados dos estudos incluídos eram muito diferentes entre si, tão diferentes que não permitem concluir que a caneta cause depressão. A mensagem é que a ciência ainda está juntando peças. Enquanto isso, o que protege o paciente é o acompanhamento.

O que os estudos mostram, lado a lado

EstudoTipoQuem participouO que achouLimite
SURMOUNT 1, 2 e 3 (Obesity, 2026)[1]Análise de ensaios com placebo4.056 pessoas com obesidade, tirzepatidaSem piora da depressão; pensamentos suicidas iguais ao placeboExcluiu doença psiquiátrica importante
JAMA Psychiatry (2025)[3]Meta-análise de 80 ensaios107.860 pessoas, remédios da classe da semaglutidaSem mais eventos psiquiátricos que o placeboExcluiu doença psiquiátrica prévia; mediu pouco o sono
Lancet Psychiatry (2026)[2]Observacional, registros da Suécia95.490 pessoas com depressão ou ansiedadeMenos piora nos períodos com semaglutidaNão prova causa; não avaliou tirzepatida
BMC Psychiatry (2026)[4]Meta-análise mistaEnsaios e estudos observacionaisSinal de mais eventos de depressãoEstudos muito diferentes entre si

Mounjaro dá insônia?

Não há estudo de boa qualidade mostrando que a caneta cause insônia. Na meta-análise da JAMA Psychiatry, a insônia aparece entre os possíveis eventos leves, sem diferença do placebo no conjunto. Os autores reconhecem, porém, que os ensaios mediram pouco o sono.[3]

Na prática do consultório, quando o sono piora durante o tratamento, costuma haver um motivo que dá para identificar:

  • Náusea ou refluxo à noite, principalmente depois de jantar tarde ou em maior quantidade.
  • Fome ou alimentação muito reduzida ao longo do dia.
  • Mais café ou outras bebidas com cafeína para compensar o cansaço.
  • Ansiedade com a mudança de rotina e com o próprio tratamento.

Também há o lado contrário. Em quem tem apneia do sono, perder peso pode melhorar a respiração durante a noite e a qualidade do sono. Leia mais em apneia do sono e obesidade. Se você está na menopausa, o sono e o humor também mudam por causa dos hormônios; veja menopausa, peso e sono.

Posso usar a caneta tomando antidepressivo?

Não existe uma proibição geral de usar a caneta junto com antidepressivo ou com remédio para ansiedade. A decisão é individual e depende de qual remédio você usa, de como está o seu quadro e do motivo para usar a caneta.

O mais importante é que os dois médicos saibam de tudo: avise quem prescreve a caneta sobre todos os remédios que você toma, e avise o seu psiquiatra que vai começar a caneta. E não pare, não reduza e não troque o remédio psiquiátrico por conta própria, nem para "dar espaço" à caneta, nem porque se sentiu melhor. Qualquer mudança nesses remédios deve ser feita com quem os prescreveu.

Quando procurar ajuda

Procure o seu médico se, durante o tratamento, você perceber:

  • tristeza ou desânimo que não passa por mais de duas semanas;
  • piora da ansiedade;
  • insônia que se mantém;
  • pensamentos de morte ou de se machucar.

Em crise, não espere a consulta. Ligue para o CVV, no 188: a ligação é gratuita e o atendimento funciona 24 horas por dia. Em emergência, ligue para o SAMU, no 192.

Como avaliamos na Spazio Essenza

Na consulta, a conversa vai além do peso. Perguntamos sobre humor, sono, ansiedade, histórico de depressão e todos os remédios em uso, porque isso muda a escolha do tratamento. A caneta só entra quando há indicação, e o acompanhamento continua ao longo do tratamento, com espaço para falar de qualquer mudança de humor. Quando você já tem psiquiatra ou psicólogo, conversamos com eles sempre que for necessário.

A consulta é particular, com hora marcada, na Spazio Essenza: CEO Offices, Av. João Cabral de Mello Neto, 850, Bloco 2, Sala 812, Barra da Tijuca. Veja como funciona a consulta ou fale conosco pela página de contato.

Quer conversar sobre o seu caso?Consulta particular, com hora marcada, na Barra da Tijuca.

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Para entender melhor as opções, leia também semaglutida ou tirzepatida: qual a diferença, o que acontece ao parar a tirzepatida ou a semaglutida e como funciona o tratamento da obesidade.

Leia também: Mounjaro e Ozempic tiram a libido?

Perguntas frequentes

Mounjaro causa ansiedade?

Os estudos não mostraram aumento de ansiedade com a tirzepatida (Mounjaro) ou com remédios da mesma classe em comparação com o placebo. No dia a dia, náusea, fome e a mudança de rotina podem deixar a pessoa mais tensa. Se você sentir mais ansiedade, avise o seu médico.

Mounjaro causa depressão?

Nos estudos SURMOUNT, com 4.056 pessoas, os sintomas de depressão não pioraram com a tirzepatida (Mounjaro). A ressalva é que esses estudos não incluíram pessoas com doença psiquiátrica importante, por isso quem já tem depressão precisa de acompanhamento mais próximo.

Mounjaro cura ansiedade ou depressão?

Não. A tirzepatida (Mounjaro) não é tratamento para ansiedade nem para depressão. Existem estudos observacionais com resultado favorável para a semaglutida, mas eles não provam que a caneta seja a causa da melhora.

Ozempic ajuda na depressão?

Um estudo sueco com 95 mil pessoas com depressão ou ansiedade viu menos piora nos períodos em que usavam semaglutida (Ozempic). Como é um estudo observacional, ele não prova que o remédio trate a depressão. O tratamento da depressão continua sendo o próprio, com acompanhamento especializado.

Mounjaro dá insônia?

Não há prova de que a tirzepatida (Mounjaro) cause insônia diretamente. Quando o sono piora, costuma haver causas práticas, como náusea ou refluxo à noite, pouca comida ao longo do dia ou mais cafeína. Vale conversar com o médico para encontrar o motivo.

Posso tomar Mounjaro e antidepressivo juntos?

Não há proibição geral, mas a decisão é individual e deve ser tomada com o médico que prescreve a caneta e com o seu psiquiatra. Nunca pare ou troque o antidepressivo por conta própria.

O que fazer se meu humor piorar com a caneta?

Avise o seu médico logo, sem esperar o próximo retorno. Nos estudos, quem tinha mudança de humor era encaminhado para avaliação. Se houver pensamentos de morte ou de se machucar, ligue para o CVV no 188 (gratuito, 24 horas) ou para o SAMU no 192.

Sobre o autor

Dr. Bruno Menezes, médico da Spazio Essenza

Dr. Bruno Menezes, MÉDICO, CRM 52.99024-8/RJ

Diretor Técnico Médico da Spazio Essenza

  • Graduação em Medicina pela Universidade do Grande Rio (UNIGRANRIO), 2013.
  • Pós-graduação em Nutrologia pela Associação Brasileira de Nutrologia (ABRAN), 2017 (NÃO ESPECIALISTA).
  • Pós-graduação em Endocrinologia e Metabologia pelo IPEMED, 2018 (NÃO ESPECIALISTA).
  • Foi diretor do Departamento de Nutrologia Vegana e Vegetariana da Sociedade Brasileira de Medicina da Obesidade (SBEMO), de outubro de 2022 a janeiro de 2026.
  • Palestrante convidado da Obesity Week 2026 (SBEMO), em São Paulo, com a palestra "Sono e apneia obstrutiva do sono: o motor esquecido da obesidade" (29/10/2026).
  • Diretor Técnico Médico da Spazio Essenza.

Conflitos de interesse: O Dr. Bruno Menezes é palestrante e educador científico contratado da Thronus Medical (cannabis medicinal), sem relação com os temas deste site. Não tem vínculo com fabricantes dos medicamentos citados (Novo Nordisk, Eli Lilly), com fabricantes de CPAP nem com a Biologix.

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Referências

  1. Wadden TA, et al. Psychiatric Safety of Tirzepatide in People With Obesity and No Known Major Psychopathology: A Post Hoc Analysis of SURMOUNT. Obesity 2026. onlinelibrary.wiley.com · PubMed 41537305
  2. Association between GLP-1 receptor agonist use and worsening mental illness in people with depression and anxiety in Sweden: a national cohort study. The Lancet Psychiatry 2026. www.thelancet.com
  3. Pierret ACS, Mizuno Y, et al. Glucagon-Like Peptide 1 Receptor Agonists and Mental Health: A Systematic Review and Meta-Analysis. JAMA Psychiatry, 2025. jamanetwork.com
  4. Glucagon-like peptide-1 receptor agonists and risk of depression: a systematic review and meta-analysis. BMC Psychiatry 2026. doi.org
  5. Centro de Valorização da Vida (CVV): telefone 188, 24 horas, sem custo de ligação. cvv.org.br (conferido em 04/11/2026)

Atualizado em 4 de novembro de 2026. Revisão médica: Dr. Bruno Menezes, MÉDICO, CRM 52.99024-8/RJ, Diretor Técnico Médico. Isto é informação, não prescrição. Não altere ou suspenda medicamentos sem orientação médica. Conteúdo informativo. Não substitui consulta médica.

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