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Mounjaro ou Ozempic fazem mal aos rins? Creatinina, insuficiência renal e o que os estudos mostram

Em resumo: na maioria das pessoas, Mounjaro (tirzepatida) e Ozempic (semaglutida) não aparecem nos estudos como remédios que "atacam" o rim. No estudo FLOW, com 3.533 adultos com diabetes tipo 2 e doença renal crônica, a semaglutida 1 mg por semana reduziu em 24% o risco de eventos renais e cardiovasculares graves em comparação com o placebo, e o estudo foi interrompido mais cedo porque o benefício já estava claro.[3] O risco renal mais concreto na prática é indireto: enjoo, vômito e diarreia podem desidratar e, em casos raros, piorar a função do rim, como avisam as bulas.[1][2] Quem tem creatinina alta ou doença renal pode usar a caneta em muitos casos, sem ajuste de dose pela função do rim segundo o fabricante, mas com exames e hidratação acompanhados.[1] Não comece nem pare a caneta por conta própria.

Assista: por que o estudo FLOW parou antes do tempo

Este vídeo curto já está publicado no Instagram do Dr. Bruno e foi gravado a partir de uma palestra em Angra dos Reis. A página reaproveita o mesmo vídeo, sem nova gravação.

O estudo FLOW foi interrompido antes do tempo

Em vídeo, o Dr. Bruno Menezes explica por que o comitê parou o ensaio da semaglutida em doença renal: o benefício já estava claro.

Ver no Instagram @drbrunomenezes

O que o vídeo explica: um estudo foi interrompido antes do tempo, e o motivo é a parte interessante. O FLOW testou a semaglutida 1 mg, a mesma substância do Ozempic, em pessoas com diabetes tipo 2 e doença renal crônica. O comitê independente de segurança parou o estudo mais cedo porque, na análise intermediária, o resultado já era claro: 24% menos eventos renais e cardiovasculares graves. Quando a diferença fica óbvia, continuar dando placebo para quem tem uma doença de verdade deixa de ser ético. Na mesma época, a semaglutida acumulou outros estudos de desfecho, como o ESSENCE no fígado, o SOUL com a versão em comprimido e o STRIDE na doença arterial periférica. Fonte: Perkovic V e colaboradores, NEJM 2024;391(2):109 a 121. O estudo foi financiado pela Novo Nordisk, fabricante do Ozempic.[3] Conteúdo educativo, que não substitui a consulta médica.

Por que essa dúvida existe

Obesidade, diabetes tipo 2 e pressão alta estão entre as causas mais comuns de doença renal. Quem começa uma caneta para o peso muitas vezes já tem um desses fatores e, com razão, se preocupa com o rim.

Além disso, as bulas trazem um aviso sobre desidratação e função renal, e nas redes sociais circulam relatos de "creatinina alta depois da caneta". Juntando tudo, é fácil concluir que o remédio faz mal ao rim. Os dados mostram um quadro diferente, com um cuidado prático importante.

O que a bula diz sobre rim e desidratação

Para o Mounjaro (tirzepatida), o próprio fabricante informa que não é preciso ajustar a dose em pessoas com comprometimento renal, incluindo quem tem doença renal em fase terminal.[1] Isso vem de estudos de farmacocinética, que mostraram que o remédio se comporta de forma parecida com rim normal ou alterado.

O alerta das bulas é outro. Náusea, vômito e diarreia, que são efeitos comuns da caneta, podem levar à desidratação. E a desidratação pode piorar a função do rim, em alguns casos até causar insuficiência renal aguda.[1][2] A bula do Ozempic (semaglutida) segue a mesma linha e orienta beber líquidos para evitar a desidratação.[2]

Ou seja: o problema descrito não é o remédio agindo direto sobre o rim, e sim o rim recebendo menos líquido quando o estômago e o intestino reagem mal.

O estudo FLOW: semaglutida e doença renal

O FLOW, publicado no New England Journal of Medicine em 2024, é o estudo mais forte sobre a caneta e o rim.[3]

  • Quem participou: 3.533 adultos com diabetes tipo 2 e doença renal crônica.
  • O que comparou: semaglutida 1 mg uma vez por semana contra placebo.
  • O que mediu: um conjunto de eventos graves, como falência do rim, queda de pelo menos 50% da filtração, morte por causa renal ou cardiovascular.
  • O que achou: 24% menos eventos graves com a semaglutida. A filtração do rim também caiu mais devagar, cerca de 1,16 mL/min/1,73 m² a menos por ano.
  • Por que parou cedo: na análise intermediária, o benefício já estava claro, e continuar com placebo deixou de ser ético.
  • Quem financiou: a Novo Nordisk, fabricante do Ozempic.

E quem não tem diabetes?

O FLOW estudou pessoas com diabetes tipo 2 e doença renal. Para quem tem obesidade sem diabetes, o benefício renal está menos documentado. Não dá para estender o resultado do FLOW para todo mundo, e os exames de rim continuam valendo durante o tratamento.

E o Mounjaro (tirzepatida)?

Para a tirzepatida ainda não existe um estudo dedicado ao rim como o FLOW. O que existe é uma análise posterior do estudo SURPASS 4, publicada em 2022, em pessoas com diabetes tipo 2 e alto risco cardiovascular, comparando a tirzepatida com a insulina glargina.[4]

  • A filtração do rim caiu mais devagar com a tirzepatida.
  • A perda de proteína na urina (albuminúria) foi menor.
  • Um conjunto de eventos renais foi 42% menor, puxado sobretudo por menos casos novos de perda importante de proteína na urina.

A mensagem é honesta: o sinal para a tirzepatida é favorável, mas a certeza ainda é menor que a da semaglutida. Para entender as diferenças entre as duas, leia semaglutida ou tirzepatida: qual a diferença.

O que os estudos mostram, lado a lado

EstudoQuem participouO que achouLimite
FLOW (NEJM, 2024)[3]3.533 pessoas com diabetes tipo 2 e doença renal, semaglutida24% menos eventos renais e cardiovasculares gravesSó pessoas com diabetes; financiado pelo fabricante
SURPASS 4, análise posterior (Lancet Diabetes Endocrinol, 2022)[4]Pessoas com diabetes tipo 2 e alto risco cardiovascular, tirzepatida contra insulinaQueda mais lenta da filtração e menos albuminúriaAnálise posterior, sem placebo, desfecho puxado pela albuminúria
Bulas e informação do fabricante[1][2]Uso aprovadoSem ajuste de dose pela função renal na tirzepatida; alerta de desidrataçãoNão é estudo de benefício

Creatinina alta: o exame engana?

A creatinina é produzida pelos músculos. Por isso, o valor no exame depende também da quantidade de músculo da pessoa. Quem emagrece e perde massa muscular pode ver a creatinina baixar sem que o rim tenha "melhorado". E quem desidrata pode ver a creatinina subir mesmo com um rim saudável.

Por isso, o exame não deve ser lido sozinho. Em geral, o médico olha junto a filtração estimada (TFGe), a relação entre albumina e creatinina na urina e, em alguns casos, a cistatina C, um outro marcador que depende menos do músculo. Se o seu exame mudou, leve o resultado para a consulta em vez de tirar conclusões pela internet.

Quando a caneta pode, sim, prejudicar o rim

Na prática, as situações de risco costumam ser previsíveis:

  • Vômito ou diarreia fortes, sem conseguir beber líquido.
  • Aumento da dose rápido demais, com mais enjoo.
  • Uso sem acompanhamento médico e sem exames.
  • Um dia de desidratação somado a remédios que também pesam sobre o rim, como anti inflamatórios, diuréticos e alguns remédios de pressão. Não suspenda nenhum deles por conta própria; converse com quem prescreveu.
  • Canetas de origem irregular, sem garantia do que há dentro.

Se o enjoo tem sido um problema, a hidratação é a primeira proteção do rim.

Quem tem doença renal, um rim só ou faz diálise

Em muitos casos, quem tem doença renal pode usar a caneta. Segundo o fabricante do Mounjaro, a dose não muda conforme a filtração do rim.[1] O que muda é a vigilância: exames mais frequentes e atenção redobrada à hidratação.

  • Um rim só: a margem é menor se houver desidratação, então o cuidado com enjoo e vômito é maior.
  • Diálise ou transplante: os dados são escassos. A decisão é feita caso a caso, junto com o nefrologista que acompanha você.

Não existe "pode sempre" nem "nunca pode". A resposta depende do seu exame, dos seus remédios e da sua história.

Sinais para procurar ajuda

Procure o seu médico ou um pronto atendimento se, usando a caneta, você tiver:

  • vômito ou diarreia que impedem beber líquidos;
  • urina muito escassa ou muito escura;
  • inchaço novo nas pernas ou no rosto;
  • confusão ou sonolência fora do comum;
  • dor abdominal forte e persistente.

Em emergência, ligue para o SAMU, no 192.

Como avaliamos na Spazio Essenza

Na consulta, conversamos sobre a sua história, os remédios em uso e os fatores que pesam sobre o rim, como diabetes e pressão alta. Quando indicado, pedimos exames de função renal antes e durante o tratamento. A caneta só entra quando há indicação, e o acompanhamento inclui orientação sobre hidratação e sobre o que fazer se o enjoo aparecer. Quando você já tem nefrologista, conversamos com ele sempre que for necessário.

A consulta é particular, com hora marcada, na Spazio Essenza: CEO Offices, Av. João Cabral de Mello Neto, 850, Bloco 2, Sala 812, Barra da Tijuca. Veja como funciona a consulta ou fale conosco pela página de contato.

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Para entender melhor o tratamento, leia também como funciona o tratamento da obesidade, o que acontece ao parar a tirzepatida ou a semaglutida, se a caneta mexe com o suor e o cheiro, se ela causa ansiedade ou depressão e o que se sabe sobre libido e testosterona.

Leia também: Mounjaro muda o suor e o cheiro?

Perguntas frequentes

Mounjaro faz mal aos rins?

Nos estudos, a tirzepatida (Mounjaro) não aparece como remédio tóxico para o rim, e a análise do SURPASS 4 mostrou um sinal favorável. O risco prático é a desidratação causada por enjoo, vômito ou diarreia, que pode piorar a função do rim.

Ozempic faz mal aos rins?

No estudo FLOW, a semaglutida (Ozempic) reduziu em 24% os eventos renais e cardiovasculares graves em pessoas com diabetes tipo 2 e doença renal. A bula alerta para o risco de piora do rim por desidratação, por isso a hidratação é importante.

Mounjaro aumenta a creatinina?

A creatinina pode subir se houver desidratação. Por outro lado, a perda de músculo durante o emagrecimento pode baixar a creatinina sem o rim ter mudado. O exame deve ser interpretado pelo médico, junto com outros marcadores.

Quem tem insuficiência renal pode tomar Mounjaro?

Em muitos casos, sim. Segundo o fabricante, a dose da tirzepatida (Mounjaro) não muda pela função do rim, inclusive na doença renal avançada. A vigilância é maior, e quem faz diálise precisa de decisão caso a caso com o nefrologista.

Preciso fazer exame de rim antes de começar a caneta?

Em geral, sim. Creatinina, filtração estimada e exame de urina costumam fazer parte da avaliação. O médico decide quais exames pedir para o seu caso.

O que fazer se estiver vomitando e usando a caneta?

Beba o que conseguir, em pequenos goles, e avise o seu médico. Se não conseguir se hidratar, ou se a urina diminuir muito, procure atendimento. Não mude a dose por conta própria.

Mounjaro causa pedra no rim?

Pedra no rim não é o tema desta página. Dor forte nas costas, principalmente com febre ou sangue na urina, pede avaliação médica.

Sobre o autor

Dr. Bruno Menezes, médico da Spazio Essenza

Dr. Bruno Menezes, MÉDICO, CRM 52.99024-8/RJ

Diretor Técnico Médico da Spazio Essenza

  • Graduação em Medicina pela Universidade do Grande Rio (UNIGRANRIO), 2013.
  • Pós-graduação em Nutrologia pela Associação Brasileira de Nutrologia (ABRAN), 2017 (NÃO ESPECIALISTA).
  • Pós-graduação em Endocrinologia e Metabologia pelo IPEMED, 2018 (NÃO ESPECIALISTA).
  • Foi diretor do Departamento de Nutrologia Vegana e Vegetariana da Sociedade Brasileira de Medicina da Obesidade (SBEMO), de outubro de 2022 a janeiro de 2026.
  • Palestrante convidado da Obesity Week 2026 (SBEMO), em São Paulo, com a palestra "Sono e apneia obstrutiva do sono: o motor esquecido da obesidade" (29/10/2026).
  • Diretor Técnico Médico da Spazio Essenza.

Conflitos de interesse: O Dr. Bruno Menezes é palestrante e educador científico contratado da Thronus Medical (cannabis medicinal), sem relação com os temas deste site. Não tem vínculo com fabricantes dos medicamentos citados (Novo Nordisk, Eli Lilly), com fabricantes de CPAP nem com a Biologix.

Conheça o Dr. Bruno Menezes

Referências

  1. Lilly Medical Brasil. Comprometimento renal (Mounjaro / tirzepatida). Revisão de 28/03/2025. medical.lilly.com · Farmacocinética: Urva S, et al. Clin Pharmacokinet 2021. doi.org
  2. Bula para o paciente de Ozempic (semaglutida), Novo Nordisk. www.novonordisk.com.br · Bulário Anvisa (Mounjaro e Ozempic): consultas.anvisa.gov.br
  3. Perkovic V, et al. Effects of Semaglutide on Chronic Kidney Disease in Patients with Type 2 Diabetes (FLOW). N Engl J Med 2024;391:109 a 121. www.nejm.org · ClinicalTrials.gov NCT03819153
  4. Heerspink HJL, et al. Effects of tirzepatide versus insulin glargine on kidney outcomes in type 2 diabetes in the SURPASS 4 trial: post hoc analysis. Lancet Diabetes Endocrinol 2022. www.thelancet.com · PubMed 36152639

Atualizado em 5 de novembro de 2026. Revisão médica: Dr. Bruno Menezes, MÉDICO, CRM 52.99024-8/RJ, Diretor Técnico Médico. Isto é informação, não prescrição. Não altere ou suspenda medicamentos sem orientação médica. Conteúdo informativo. Não substitui consulta médica.

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